DEJACI GUIMARÃES FOI CAMPEÃO DE HALTEROFILISMO, PROFESSOR E ATOR DE CINEMA

Desde muito cedo ele escolheu a cultura física como meta de vida e, com extrema dedicação ao que fazia, alcançou láureas importantes. Foi campeão baiano de halterofilismo, juiz de lutas, orientador de muitos atletas, professor de educação física e ator de cinema, não seguindo essa profissão em atenção a um pedido da mãe. Dejaci Guimarães deixou o convívio de familiares e amigos no dia 18 deste mês, aos 85 anos de idade.

Bom físico, aptidão para o esporte e uma vizinhança animadora — os irmãos Boaventura —, halterofilistas famosos, levaram o jovem estudante do Ginásio Santanópolis, Dejaci Guimarães Almeida, a trilhar muito cedo o caminho do fisiculturismo. Seus pais, Olegário Bispo de Almeida e dona Eloina Guimarães Almeida, moravam na Rua Barão de Cotegipe, centro da cidade, bem próximo à Academia Atlética Feirense (Associação Atlética Feirense), onde ele via muitos jovens em atividade no levantamento de peso. Idealizou sua academia e, aproveitando o bom espaço existente no quintal, entrou em ação.

Com barras de ferro e latas de leite em pó cheias de massa de cimento e concreto, produziu os primeiros pesos, logo substituídos por outros de latas maiores. Foi assim, por conta própria, estabelecendo graduações e treinando com dedicação, que pôde perceber seu corpo reagindo positivamente. Em 1955 resolveu treinar na Academia Atlética Feirense (AAF) e sua estrutura física natural chamou atenção do campeão baiano meio-médio de levantamento de peso, Asdrúbal Soares Boaventura, que o colocou como instrutor da academia e passou a chamá-lo de “mestre”, numa indiscutível prova de reconhecimento das qualidades do jovem aluno que retribuiu com maior dedicação nos treinamentos.

Dejaci tinha um fator primordial a seu favor em relação a tantos outros que buscavam, como ele, o físico perfeito: lia muito sobre halterofilismo, na verdade buscava na literatura tudo em relação à técnica, alimentação, exercícios que poderiam potencializar o trabalho de levantamento de peso, repouso e outros itens geralmente pouco observados pelos seus contemporâneos, confiantes apenas na força da juventude.

Na época, Asdrúbal Boaventura enfrentava dificuldade para obter a média necessária que iria capacitá-lo a concorrer na disputa do título de bicampeão baiano meio-médio. Foi quando o jovem Dejaci sugeriu a Asdrúbal um elenco de exercícios para fortalecimento muscular através de determinadas ações como arremesso, arranque e snatch. Asdrúbal foi bicampeão baiano em 1968 e muito agradeceu a ele pela conquista. Dono de físico privilegiado, Dejaci, além de instrutor de muitos atletas, também foi vice-campeão baiano de fisiculturismo em 1960, certame disputado em Salvador por um grupo de verdadeiros “adônis”, já que a modalidade atraía os jovens e transformava muitos deles em ídolos.

Em 1961, Dejaci ganhou o título estadual de halterofilismo, ao tempo em que praticava boxe, atletismo, corrida de rua e até futebol, pelo qual nunca demonstrou maior interesse. Em maio de 1965, ele inaugurou na Rua Barão de Cotegipe o Hércules Clube, que depois passou a ser Cultura Física Hércules. Independente da prática de exercícios, ele ministrava orientações para a recuperação de lesões, atrofias, fortalecimento muscular e exercícios específicos para praticantes de futebol, handebol, futebol de salão (futsal), futebol de campo, corrida de rua, basquetebol e outras modalidades.

Dejaci também participou da Corrida de São Silvestre em São Paulo e da Maratona do Rio de Janeiro. Formado em Recife, foi professor de Educação Física do Estado e do Município, mediante concursos, tendo preparado muitos atletas, orgulhando-se da conquista das Olimpíadas Estudantis de 2003 comandando a equipe de futsal da Escola Edite Gama e Abreu. Graças aos conhecimentos técnicos, entre as décadas de 1960/1980 Dejaci Guimarães foi juiz de lutas de boxe e vale-tudo em nível profissional, inclusive de memoráveis combates entre Renato Pereira, o “Escorpião de Ibirapuera”, e adversários como Euclides Pereira, Touro Novo, Fidelão, Didi e King Kong no Ginásio de Esportes Péricles Valadares, no Feira Tênis Clube.

Físico atlético, rosto bonito emoldurado por uma vistosa cabeleira, Dejaci chamou atenção do cinema e apareceu bem em algumas cenas do filme “Grito da Terra”, dirigido por Olney São Paulo, que gostou da atuação dele, no que pese a inexperiência do atleta como ator. Em 1965, atuou no filme ‘O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro’, estrelado por Maurício do Valle, Odete Lara e Geraldo Del Rey, e ainda em ‘Entre o Amor e o Cangaço’. Foi então convidado para trabalhar no cinema em São Paulo, com reais possibilidades de sucesso, mas sua mãe, dona Eloina, disse não, contrariando o pai Olegário, que já havia dado o consentimento. Viúvo e pai de dois filhos adultos — um homem e uma mulher —, Dejaci Guimarães faleceu segunda-feira (dia 18 de agosto), aos 85 anos de idade, depois de enfrentar longa e penosa enfermidade.

Por Zadir Marques Porto

Fonte: Prefeitura de Feira de Santana

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