O secretário de Estado do Vaticano, o cardeal italiano Pietro Parolin, afirmou que os interesses políticos e econômicos estão impedindo “uma solução humana para a tragédia” na Faixa de Gaza.
Parolin assegurou que a posição da Santa Sé é a expressa pelo papa nessa quarta-feira (27), na audiência geral, quando pediu que se respeite o direito humanitário em Gaza, e em especial “a obrigação de proteger os civis e a proibição do castigo coletivo, o uso indiscriminado da força e o deslocamento forçado de populações”.
Quanto à proteção dos religiosos e fiéis em Gaza, Parolin explicou que “foi concedida a liberdade de escolher entre ficar ou partir, apesar da ordem de evacuação do governo israelense”, mas qualificou de “corajosa” a decisão tomada pelos líderes religiosos ortodoxos e católicos de permanecer ao lado da população.
Parolin lamentou que, até agora, o governo israelense “tenha demonstrado não estar disposto a recuar” na posição de invadir Gaza e que “talvez não haja muitas esperanças”, ao mesmo tempo que reiterou a vontade da Santa Sé de insistir para que as coisas mudem.
No âmbito diplomático, o secretário de Estado do Vaticano confirmou que está “em contato com a administração norte-americana, por meio da embaixada”, e expressou a esperança de que as conversações internacionais decorrentes da visita do ministro dos Negócios Estrangeiros israelense, Gideon Sa`ar, a Washington deem sinais concretos.
O número dois do Vaticano já tinha se declarado há alguns dias atônito com o que está ocorrendo em Gaza após o bombardeio do hospital que classificou de “absurdo”.
“A situação está se tornando cada vez mais complicada e, do ponto de vista humanitário, cada vez mais precária, com todas as consequências que vemos continuamente”, acrescentou.
Fonte: Agência Brasil