ANTÔNIO MAGALHÃES FEZ DE FEIRA DE SANTANA SEU MODELO PREFERIDO

Dizem que mineiro é calado e trabalha em silêncio. Antônio Magalhães talvez não tenha sido tão reservado assim, mas durante 58 anos na cidade princesa, contribuiu decisivamente para o reconhecimento do profissional da fotografia. Deixou um imenso acervo fotográfico da cidade princesa e dois filhos, fotógrafos como ele, dos quais, se ainda estivesse entre nós, iria se orgulhar.

Considerado um dos melhores profissionais de sua área em Feira de Santana durante o longo tempo em que esteve em atividade, marcado por extrema versatilidade, Antônio Ferreira Magalhães nem sempre foi fotógrafo. Mineiro do município de Conselheiro Lafaiete (antes chamado Queluz), que fica entre Congonhas e Barbacena, Magalhães foi para o Rio de Janeiro muito jovem e, na cidade maravilhosa, foi funcionário da Empresa Telefônica Brasileira. Durante uma década, foi um dedicado escriturário da ETB, que ficava muito perto do Liceu de Arte e Ofício.

E foi ali que ele fez o contato inicial com a arte fotográfica. Com enorme desejo de conhecer a fundo os segredos da profissão, fez curso de fotografia e adquiriu seu primeiro equipamento específico. Já estava familiarizado com o Rio de Janeiro, portanto longe de Feira de Santana, mas o destino fê-lo viajar para a princesa do sertão em 1964, atendendo convite de um cunhado, dono de uma empresa fornecedora de carnes que eram comercializadas no Mercado Municipal, atual Mercado de Arte Popular (MAP).

Enquanto trabalhava com o cunhado, fazia fotografias, o que foi observado pelo jornalista Antônio José Laranjeira, que coordenava a sucursal do jornal Diário de Notícias nesta cidade, onde ele começou a atuar profissionalmente em 1968. Logo tornou-se bastante conhecido na cidade e foi para a sucursal de A Tarde e, desta, para a sucursal do extinto matutino Jornal da Bahia, que pertencia ao jornalista, advogado e empresário feirense João da Costa Falcão. Depois, atuou no centenário Folha do Norte, no Feira Hoje, dentre outros órgãos de informação.

Com enorme qualidade técnica e responsabilidade, granjeou conceito, tornando-se uma referência profissional na cidade princesa e, assim, em 26 de dezembro de 1976, premiou a categoria, na época em expansão, com a fundação da Associação dos Fotógrafos Profissionais de Feira de Santana (AFPFS), cuja primeira diretoria foi formada por Antônio Magalhães (presidente), Elísio Azevedo (vice-presidente), Daniel Franco (primeiro secretário), Edson Fialho (segundo secretário), Álvaro Ribeiro (primeiro tesoureiro) e Inácio Oliveira (segundo tesoureiro).

Num esforço contínuo para elevar sempre a categoria, em 2000 ele promoveu a transformação da associação em Sindicato dos Fotógrafos Profissionais de Feira de Santana, logo após a sua participação, ao lado de Daniel Franco, no II Congresso Brasileiro de Arte Fotográfica de São Paulo, que foi realizado em Recife. Em 1971, Magalhães teve forte participação na fundação do Observatório Astronômico Antares, uma iniciativa do jovem Augusto Cesar Orrico. Essa entidade, a partir de 1982, foi incorporada à Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

Além de atuar como fotógrafo de estúdio e repórter-fotográfico (em diferentes áreas), Magalhães passou a fazer fotos na área social por conta de inúmeros apelos, ganhando verdadeira polivalência com a máquina. Mostrando seu trabalho, na década de 1980, ele produziu o livro “A História nas Lentes: Feira de Santana pelo olhar do fotógrafo Antônio Magalhães”. Todavia, o material mostrado no livro foi uma pequena parcela das quase 37 mil fotos que ele havia catalogado no computador. A edição do livro foi uma frustração para Magalhães, que pretendia vê-lo incluído entre os livros escolares do município, o que não foi possível, por não se tratar de um compêndio didático.

Até o final do seu trabalho, Magalhães manteve todo o material produzido – negativas analógicas –, muito bem acondicionado em envelopes apropriados, no gabinete onde ele trabalhava em sua casa. Esse valioso material, que mostra variados aspectos da cidade princesa a partir da década de 1960, incluindo jogos do Fluminense, Festa de Santana, eventos políticos, festas como Caju de Ouro e Uma Noite no Havaí, Micareta, visita de personalidades ilustres, fatos policiais e inaugurações, dentre outras coisas, está devidamente arquivado.

Com o avanço da tecnologia e o uso predominante do telefone celular por muitos, em lugar da câmara fotográfica, há muita facilidade na fixação de uma cena que exige rapidez. Mas o trabalho de Antônio Magalhães e colegas, a exemplo de Daniel Franco, a partir da década de 1970, foi fundamental para o desenvolvimento da fotografia profissional em Feira de Santana. Ele manteve sempre um estúdio na cidade, sendo o último deles no Mercado de Arte Popular (MAP).

Antônio Magalhães foi casado com a professora Zeny Bastos, que lhe deu três filhos. O mais velho, Antônio Magalhães, é professor universitário; o segundo, Jorge Magalhães, é jornalista, mas ambos são fotógrafos profissionais reconhecidos. Valéria é professora e comerciante. Antônio Ferreira Magalhães faleceu em 9 de março de 2022, depois de 58 anos de atuação na terra de Senhora Santana, com a dedicação de um verdadeiro filho – e isso é reconhecido por todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo ou acompanhar a sua trajetória profissional.

Por Zadir Marques Porto

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