A Escola Municipal Idália Torres, localizada no Simão, recebeu, nesta sexta-feira (29), a visita da professora e pesquisadora Olga Akou Kochie, que integra o quadro docente da Universidade de Bordeaux Montaigne, na França. A proposta foi uma roda de conversa abordando o tema do racismo.
Olga informou que já sofreu racismo quando pequena, mas que hoje tem orgulho da mulher que se tornou. Nascida na Costa do Marfim, país que teve sua independência há 65 anos, hoje ela vive na França, país que foi o colonizador de seu país natal. “Na Costa do Marfim existem cerca de 60 etnias. Nossos valores foram desnaturalizados e começamos a obedecer às normas ocidentais. Uma pessoa negra vem de um país pobre, uma país que foi escravizado e colonizado, o que se pode fazer? Estudar. Educar. Instruir. Você tem que dar a eles o que não esperam de você. Nosso trabalho e nossa inteligência para levar à frente o que nós esperamos. Eu sou uma mulher, não me considero uma inferior. Eu sou como vocês e tenho uma mensagem de esperança que é de transformação social, de construção de mentalidade. Por causa das vítimas que foram nossos ancestrais, nós devemos levantar nossa cabeça diante dos outros. É isto que vocês têm que escolher”, defendeu a professora.

Olga e o Coordenador do Projeto do Capes, tradutor, Luiz Artur Cestari.
Olga também agradeceu pela receptividade e elogiou a programação da Escola Municipal Idália Torres. “Eu estou muito tocada de que a escola tenha um programa tão bonito como esse sobre a luta contra o racismo e a favor da diversidade cultural. A direção disse que é uma atividade cotidiana, que faz parte da identidade da escola. Eu digo que isso é muito bom. Bravo! E que todo esse engajamento fez eco à minha personalidade e à minha identidade científica”, observou.
Para a diretora da Escola Municipal Idália Torres, Margarete Cunha de Lucena, a roda de conversa foi um momento único para a comunidade escolar. “Poder participar da roda de conversa, com a professora e pesquisadora Olga, trazendo contribuições importantes com o olhar dos povos africanos, este momento contribui para que possamos repensar nossa prática pedagógica acerca da diversidade étnico-racial”, avaliou Margarete.
- Margarete e Joaquim
- Gabriele
O aluno do 5º ano, Joaquim Prado, 11 anos, afirmou que, para os estudantes da Idália Torres, “foi uma experiência positiva conhecer mais sobre os povos africanos e suas culturas”.
Já a aluna do 4º ano, Gabriele Almeida Prado, 10 anos, disse que “foi muito bom participar, aprendendo sobre racismo e a respeitar os africanos”.