
Salvador marca seu lugar no mapa internacional da cultura ao sediar a abertura da Temporada França-Brasil 2025, que comemora os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países. Até novembro, está prevista a realização de cerca de trinta atividades artístico-culturais na capital baiana para celebrar a parceria entre as nações. Entre elas, um conjunto de exposições que celebram a diversidade, a memória e os diálogos culturais entre Brasil, França e África. As atividades são apoiadas pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura e do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac).
A estreia desta programação especial aconteceu na quinta-feira (28) no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), com a mostra do artista franco-beninense Roméo Mivekannin, com obras de forte impacto visual e reflexivo, que trazem uma leitura contemporânea sobre história, memória e identidade da França, Brasil e África. De acordo com o secretário da Cultura, Bruno Monteiro, a programação diversificada no estado fortalece os vínculos em várias áreas entre os dois países.
“A Bahia se orgulha muito de acolher essa temporada, França-Brasil, reforçando laços de relações diplomáticas, mas que são também culturais, sociais, políticas, e a cultura servindo como grande porta de entrada para toda essa possibilidade de intercâmbios que nós temos nesse momento”, enfatizou o titular da Secult-BA.
A partir desta sexta-feira (29), está aberta à visitação a exposição Fatumbi, no Museu de Arte da Bahia (MAB), com registros históricos de Pierre Verger e trabalhos do artista Emo de Medeiros. A mostra, que reúne 126 fotografias representa as culturas e religiões afro-baianas, afro-pernambucanas e as raízes africanas, também integra a programação da Temporada França-Brasil 2025. Podem ser vistos documentos originais, como correspondências, publicações, anotações manuscritas e objetos pessoais de Verger, que mostram os caminhos que o levaram a ser iniciado e renascer como Fatumbi.
Outra ação é a mostra da coleção FRAC, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC-Bahia), que aposta na videoarte para discutir temas como migração, diversidade e memória coletiva. Além disso, será anunciada a criação da Villa Fatumbi, projeto cultural tripartite que pretende impulsionar a circulação de ideias, obras e profissionais entre Brasil, França e África.
“Vamos ter vários projetos na área das artes visuais, do cinema, da dança, que vão incluir artistas franceses, brasileiros, baianos e africanos. E essa programação vai terminar com o Festival Nosso Futuro, que organizamos em parceria com o Estado e com a prefeitura de Salvador, e que vai permitir encontros entre jovens brasileiros, jovens franceses e jovens africanos, justamente para trocar ideias e fazer propostas sobre o nosso futuro conjunto”, destacou a comissária-geral da Temporada França-Brasil, Anne Louyot.
“A Bahia tem um lugar especial na história das relações entre França e Brasil. Hoje as relações políticas e econômicas são muito boas. Temos grandes empresas francesas muito ativas na Bahia, como Air France, Vinci, Carrefour. Ontem, como o governador falou de como manter as relações com novos investidores, em novas relações, na energia, no turismo. Estou muito confiante”, pontuou Maurício Bacelar, secretário de Turismo do Estado.
Em novembro, a capital baiana será palco do Festival Nosso Futuro, que reúne debates, música, gastronomia e intercâmbio cultural. No evento serão discutidos inclusão social, igualdade de gênero, justiça territorial e sustentabilidade. Shows, encontros gastronômicos e muita troca criativa completam a programação, reforçando a Salvador como espaço central desse grande momento de celebração e cooperação internacional.
“É uma demonstração da importância que a Bahia tem nessas relações, particularmente na atividade turística. Nós temos um intercâmbio com o país francês em relação ao turismo sustentável, bem como também pela relação que a França e a Bahia têm com a África, as questões gastronômicas serão bastante trabalhadas. Tudo isso reflete da nossa interação cultural com a França e com a África”, concluiu Maurício Bacelar.